aurora

9 de agosto de 2011

Se, Raramente se erra,

quando se liga as ações

extremas à vaidade,

as medíocres ao costume e

as mesquinhas ao medo,

como diz o Frederico,

é preciso alterar.

_

alterar.

alterar  alter-ego.

_

pra que mais forte

seja o ego.

_

para quem saiba um dia

viajar

entrar no mar

sair dessa ilha.

 

ela é necessária

5 de agosto de 2011

respeito ao guerreiro

e não aos

senhores da guerra

pergunta difícil

18 de maio de 2011

por um acaso, não te passou juntar-se ao povo de israel?

algum versículo profético

1 de abril de 2011

“O homem será preso por suas próprias faltas e se desviará pelo excesso de sua loucura”

Haikai laican

1 de abril de 2011

de repente,

cede.

e se arrepende

A boca escancarada.

1 de abril de 2011

Sempre de camisa lisa

sapato limpo

calças usadas

 

no rosto a estampa leve

sorriso fácil

olhar sincero

 

o andar um samba

o passo certo

cabeça erguida

 

e nunca andava sozinho.

 

Ali há dor, é evidente

mas de tal modo compreendida

que a enorme envergadura abraça toda a gente

e canta alto e forte

A boca escancarada.

volta, volta e meia

3 de março de 2011

   tu sabe que   volta,  volta  e  meia

         me        pego       pensando         pecuinhas

depois fico

                     um  bom   tempo

                                                       sem   passar

e quando vejo

                            volta,  volta  e  meia

                                                        meia volta

                                                                    volta, uma ova!

não é     bem    assim,    prés’tensão:

não      é

                    exatamente

                                               a     mesma

                                                                     volta

take it easy,

                                            desta   vez,

                                                                                       jah   perdoei

haikai do Analista de Bagé Racional

28 de fevereiro de 2011

mudou aos poucos

quase um trabalho braçal

tribalização racional

bora bora

30 de janeiro de 2011

muito embora

quem vai em’bora

não embolora

a aliança

26 de dezembro de 2010

a aliança

.

corre atrás dela

e não alcança

.

então atira pedras

(diamante também é pedra)

A mãe da Flavinha

9 de dezembro de 2010

E não é que não acorda! Conheço esse ronco, mas, sabe como é: se ele chega a ver isso, vai ser um deus nos acuda.

Porque a Flavinha sempre foi a mimadinha dele. E agora vem com essa de carreira de modelo. Tudo bem, ela é bonita, linda, loira. Loira falsa, mas loira. E ainda mais rebolando assim, com esse decote. Deus o livre ele acordar agora e ver isso. A vez do silicone já foi um auê. Flavinha cismou que queria de presente pôr silicone nos peitos. De pronto, ele disse que não, que filha sua não agia como puta, que isso é coisa de rapariga, moça certa não anda mostrando os peitos e tenho dito. Ela calou. Fez biquinho, foi chegando de ladinho, paizinho pra cá, paizinho pra lá, e levou os peitos dele, na maciota.

O câmera não poupa: sobe por trás, ela de mini-saia, mostra, detalhadamente, as ancas, que, aliás, ela herdou de mim, e já pela frente filma o umbigo com o piercing – indecência – e, finhalmente, chega aos seios. Que dupla! Se, ao menos, eu tivesse dois desses quando era mais nova, há vinte anos minha vida seria diferente, ah se seria. Agora, o que me resta é ver essa piranhagem na TV. A Flávia que me desculpe, mas esse pretenso olhar sensual é muita chinelagem. Isso ela não aprendeu comigo, por favor.

Ui!, quase que ele acorda!, me virei na cama, já estava doendo desse lado. Sorte que o controle está na mão – um toque e já estou no canal de tapeçaria. Já comprei seis tapetes persas pra ele não desconfiar. Não sei mais onde ponho tanto tapete persa nessa casa. Ele reclama, aí digo que é uma paixão, que sempre fui fascinada pela arte antiga, que só agora, finalmente, tenho condições de comprar o que sempre quis, porque, antes, quando as crianças eram pequenas, só vivia pra elas, nunca podia ter nada, bem diferente dele, trocando de carro, gastando fortunas com porcarias e raparigas, que eu bem sei. Sem dizer que faço tudo nessa casa, ele já nem fala mais nada.

Esse último persa, a Flavinha me deu metade. Lindo. Pus ele na sala da frente, pra impressionar as gurias. Elas vem toda quarta-feira de tarde tomar mate. Digo pra elas que são desenhos persas descobertos por arqueólogos franceses. Garanto que nem sabem o que é um arqueólogo, mas é só dizer que é francês que elas ficam boquiabertas. Quando perguntam pela Flavinha, digo que está na capital, trabalha durante o dia e estuda à noite. Publicidade. Elas não costumam ver TV até tarde, ao menos nenhuma delas me disse nada ainda. A não ser que algum filho delas vir e abrir o bico, bando de punheteiros. Mas, por enquanto, está tranquilo, ninguém vai saber de nada.

Quero só ver quando ela estourar. O filho da tia Maria, que mora em SãoPaulo e é bam-bam-bam nesse meio, disse que vai analisar o curriculum da Flavinha e indicar ela prum reality. Amanhã tenho que ligar pra tia Maria, ela me adora desde sempre e não vai me negar esse pedido.

Podiam ter filmado mais ela hoje. Será que brigou com o pessoal do programa?, falei pra ela tratar eles com carinho, fazer o que tiver que fazer, sem reclamar. Amanhã tenho que ligar pra ela também.

Por hoje já deu de televisão, é hora de desligar. Daqui a pouco ele levanta.

deu-se conta da quarta dimensão e sorriu

8 de junho de 2010

O Tempo perguntou

pro Tempo quanto

Tempo tinha.

– Putinha é a mãe

respondeu.

entrevero inútil(~)

8 de junho de 2010

o que

sabe que sabe

se pecha com o que

pensa que sabe

e ficam

ali, quem sabe

querendo

saber quem sabe

mais

auto-confiança

8 de junho de 2010

Não é aquilo que o cara nem pensa que é!

e as muchilas

8 de junho de 2010

Não é nem Se!, mas sim

Quando

der, viaja!

No estrangeiro são

todos do mundo.

Tu és mais tu no estrangeiro.

exidus

8 de junho de 2010

Cheiro forte de morte

Impulso pro Norte

Se não encontro companhia

Toco pra Nova Yorke

esclarecido

27 de fevereiro de 2010

por sorte ñ

tomou anti-depressivos.

caso contrário – se tivesse seguido a propagandeada onda – ñ

teria entendido que era mentira aquela verdade.

.

por sorte encontrou um médico ñ

afeiçoado à escola do capital industrial.

este teve paciência e ñ

cedeu aos fármacos-vendedores.

.

pra essa renúncia

quanta renúncia!

distinta

11 de fevereiro de 2010

Vagar num deserto.

Assim seria sem ela.

Sobreviveria como um bicho,

que nada sabe da saudade, do futuro:

varanda ensolarada, as

crianças pro jantar.

Jota Pê

11 de fevereiro de 2010

Como que um divisor de águas, o hospital ao qual fora convidado para auxiliar no replanejamento das políticas de saúde separava uma favela de um bairro nobre da cidade. Com muito gosto aceitara a missão, já que desde um bom tempo queria conhecer ao país vizinho e, por saber da situação sanitária dos amigos, não hesitou em unir o útil ao agradável. Já no primeiro dia seu fiel anfitrião o leva, a seus próprios pedidos, a conhecer o bairro pobre. Antes de chegarem ao local avisa-o para não sair de sua vista, pois na noite anterior haviam tentado assaltar a um médico e dois agentes de saúde.

Aparentando tranquilidade, os médicos mal chegaram à entrada da favela e os pedidos de dinheiro somavam-se aos olhares desconfiados. Ocorreu que, chegando a um bar, já cheio de fregueses apesar do horário matinal, a fim de se hidratarem pois o calor era castigante, miraram a uma divertida pelada que se dava ali em frente. O time descamisado passava por cima dos de camisa. E não sem motivo: havia um pequeno que era exuberante. O menino não contava mais que dez anos. Além dos dribles e passes certeiros, finalizava com frieza e organizava a defesa da equipe.

O espetáculo teve fim ao estrondo da peleia. Dois dos maiores, um deles o carrasco de todos os meninos da região, Irrutia, pegaram-se aos socos em meio ao campo, que nada mais era do que a rua, limitada pelas sarjetas aromáticas aos lados e chinelos a formar as goleiras, aos fundos. Deu-se que um dos brigadores era o dono da bola e não imaginara no que se metera ao enfrentar a Irrutia. Acabou levando, além da humilhação e da dor, a pelota sagrada para casa. Impressionou ao médico estrangeiro que, de todos ao redor da cena, somente o pequeno craque tentara apartar à briga, que só teve fim ante a intervenção daquele e de seu amigo anfitrião. O médico de viagem ficou maravilhado com o pequeno menino, que destoava do meio em que estava inserido. Este foi o único que não havia lhe pedido dinheiro até o momento e transmitia uma serenidade embalizada por um confiante sorriso ao rosto. O médico nativo se propôs a pagar um refresco ao menino, o qual, com humilde simplicidade, aceitou.

Visto que a criança se mostrava completamente à parte de tudo que a rodeava, o estrangeiro a chamou e disse – tome esses dez e faça o seguinte: não gaste eles com nada que não os faça multiplicar. Perguntou ao pequeno se este entendera a missão, ao passo que ele respondeu que sim. Daí se transformou a vida de Juan Pablo. Com o dinheiro que ganhara, comprou latas de tintas para sapato e reformou uma antiga caixa de engraxate que havia no pátio de sua casa. Começou indo ao centro da cidade todos os dias pela manhã, já que estava em férias dos compromissos escolares e, assim, não molestava a sua mãe, que relutou em o deixar ir mas não com força suficiente para o deter.

Empatia e capricho eram seu norte na labuta. Com o sucesso da empreitada, todo dia passava na padaria antes de chegar em casa: era a alegria da família.

Até que, em um crucial dia, não levou mais os pães para casa. Irrutia estava atento a Juan Pablo, que andava sumido e de tênis novo. Foi o receber em frente aquele mesmo bar e, às pauladas, levou o soldo do dia de Juan Pablo. E assim por mais dois dias seguidos.

Juan Pablo não conseguia dizer porque estava tão melancólico nos últimos três dias e parecia que não era pela ausência dos pães. Ante as perguntas nada dizia e ia silencioso para seu quarto, que dividia com o irmão mais velho. Nessa noite, lembrou-se da frase de seu benfeitor e elaborou um plano: seu irmão estava metido em confusão, pois era sabido que andava a traficar com os da banda podre do bairro, e escondia uma arma no quarto. Seu pai, desconfiado do primogênito, na mesa de jantar daquela noite, avisara-o que no dia seguinte sairiam cedo para trabalhar juntos. Pela manhã, Juan Pablo certificou-se da ausência de ambos, pai e irmão, e levou consigo a arma do último.

Ao retornar da labuta, Irrutia o esperava novamente. Um ao peito e outro ao pescoço foram os balaços em Irrutia, que sequer gemeu de dor ao cair, metade para dentro da valeta, como que posta ali para recolher o sangue. Muitos foram os suspeitos, menos Juan Pablo, que passou a trabalhar em frente ao hospital limítrofe de bairros e realidades, o qual seu benfeitor havia deixado já há uma semana.

Encharcado de suor em sua saudosa cama que, desde que voltara de viagem, só tivera bons sonhos, o médico acorda ao som da campainha: era o carteiro. Entre as contas do mês, um pacote com uma carta de seu amigo anfitrião e um jornal. Na carta, o amigo dizia, após as notícias do andamento do serviço no hospital e de um comentário acerca da cena política local: “…de todos os presentes que nos deixaste, o maior foi a companhia diária do pequeno Jota Pê. Sim, é assim que chamamos ao menino que você presenteou ao primeiro dia que chegaste aqui. Jota Pê está a trabalhar em frente ao hospital e, rapidamente, conquistou a todos com seu carisma e empenho…”. Junto à carta, veio o diário de uma semana antes, que, entre as notícias da melhora dos índices de saúde, trazia, bem embaixo, na capa, a notícia de mais um assassinato de adolescente em favela da cidade, como que a carimbar as manchetes de corrupção no governo do país.

haikai da mudança ou mantra revolucionário

11 de fevereiro de 2010

chega de fugir

chega de chorar

eu vou ser o que sempre quis ser:

vou analisar o meu sofrer